O termo tem origem grega, baseada em dois radicais: hidro, que significa água, e ponos, que se refere ao trabalho. Em resumo, a hidroponia é um meio para cultivar vegetais sem o uso do solo. Ela utiliza uma solução nutritiva para fornecer os minerais necessários para o crescimento das plantas.
A HIDROPONIA
O termo Hidroponia é aplicado a um conjunto de técnicas empregadas no cultivo de plantas sem a utilização do solo, de forma que os nutrientes minerais são fornecidos através da água por meio de uma solução nutritiva balanceada para as necessidades da planta que se deseja cultivar.
ORIGEM
A palavra Hidroponia é originária do grego, onde hidro significa água, e ponos significa trabalho. A combinação destas duas palavras resulta em “trabalho com água”, e neste caso particular está implícito o uso de uma solução nutritiva para viabilizar o cultivo de plantas sem o uso de solo. As primeiras notícias do uso desta técnica vêm dos Sumérios, povo que surgiu por volta de 5000 a.c. e habitou a antiga Mesopotâmia, local onde hoje se encontra grande parte do território do Iraque. Nesta região, foram encontrados vestígios de poços e canais para a irrigação.
Porém, o desenvolvimento científico da Hidroponia (como a origem e a identificação dos nutrientes) só começou a ser estudado no século 17. Ao longo dos séculos seguintes, várias experiências foram realizadas para descobrir a fórmula dos nutrientes essenciais para as plantas. Em 1929, o pesquisador William F. Gericke, da Universidade da Califórnia (Estados Unidos), desenvolveu uma técnica de cultivo sem solo com a qual conseguiu produzir frutas, cereais, flores e tubérculos em larga escala. Em 1940, ele apresentou um trabalho descrevendo um sistema hidropônico quase comercial, onde o termo ‘Hidroponia’ foi utilizado pela primeira vez. Nas décadas de 1950 e 1960, o cultivo hidropônico já havia se espalhado em vários países como Alemanha, França, Itália, Suécia, antiga URSS, Israel, Inglaterra e Espanha.
Hidroponia no Brasil:
No Brasil, o crescimento da Hidroponia comercial deve-se ao pioneirismo dos japoneses Shigeru Ueda e Takanori Sekine, que trouxeram a técnica do Japão, na década de 1980, para o Estado de São Paulo. No final da década de 1990, a área destinada ao cultivo hidropônico no mundo era de aproximadamente 12 mil hectares. A produção era 3 milhões de toneladas, apenas de hortaliças. O interesse pelo cultivo sem solo cresceu no Brasil na última década, em especial para a produção de hortaliças. Porém, praticamente qualquer espécie de vegetal pode ser cultivado por meio do sistema hidropônico. Porém, as culturas mais difundidas no cultivo hidropônico são a alface e o tomate. Mas os agricultores também cultivam agrião, almeirão, brócolis, berinjela, coentro, cebolinha, couve, manjericão, menta, rúcula e salsa, além de abobrinha, feijão-vagem, morango, melancia, melão, pimentão, pepino, repolho, brotos, microvegetais, alecrim e boldo. Pode-se também plantar flores e mudas de árvores frutíferas e ornamentais, mudas de arbóreas (eucalipto) e forrageiras para alimentação animal.
A missão da Alfa Verde Hidroponia é mostrar ao público que essa técnica protege a natureza, entrega produtos de qualidade superior e minimiza os impactos da agricultura convencional sobre o planeta. A Região Sudeste concentra o maior número de produtores hidropônicos do país, especialmente o Estado de São Paulo. As frequentes estiagens e a carência de mão de obra especializada para a agricultura são alguns dos fatores que têm estimulado a adoção do cultivo sem solo pelos agricultores paulistas. Mas a tecnologia alternativa de cultivo também tem sido adotada em muitos Estados da Região Nordeste, que sofrem com estiagens. Lá, a Hidroponia é utilizada para produção de verduras para consumo humano e forragem para alimentação animal.
VANTAGENS E CARACTERÍSTICAS
O sistema hidropônico como recurso de produção agrícola é uma técnica recente, se considerarmos a evolução agrícola no planeta. Estabeleceu-se no Brasil na década de 1980. Mesmo sendo jovem no contexto do mercado, a técnica já conquistou os horticultores brasileiros e, a cada ano, a migração dos produtores à nova tecnologia aumenta com indicadores de crescimento superiores a 20%. Apesar do maior custo inicial para instalação da estrutura e compra de equipamentos, existem diversas vantagens no cultivo hidropônico em comparação com o sistema convencional, no solo. Porém, é sempre válido lembrar que a Hidroponia exige um conhecimento específico e um cuidado maior ao manejar as plantas, bem como uma limpeza do ambiente de cultivo em um rígido nível de assepsia.
Vantagens:
- Maior rendimento por área. Por dispensar o uso de terra, a Hidroponia pode ser verticalizada. No Japão, por exemplo, existem cultivos hidropônicos no subsolo;
- Redução do ciclo e aumento da produtividade. Por receber todos os nutrientes de que precisa em tempo integral, todo o cultivo cresce saudável e em condições de ser consumido em menor prazo. Na Hidroponia, é possível produzir até 31,3 toneladas de alface por hectare. Em dez cultivos por ano, por exemplo, isso totaliza 313 toneladas. No cultivo convencional, consegue-se, em média, 52 toneladas de alface ao ano;
- Mais qualidade. Por ser cultivado em local protegido (estufa), o vegetal está menos suscetível a pragas e enfermidades. Além disso, recebe todos os nutrientes de que precisa durante todas as fases de crescimento, o que torna a planta mais saudável e nutritiva;
- Mais colheitas no ano. A Hidroponia permite ciclos mais curtos devido ao melhor controle ambiental. A alface, por exemplo, leva de 60 a 65 dias para ser colhida no cultivo tradicional, enquanto que, no cultivo hidropônico, este tempo cai para 35 a 40 dias. Existem, ainda, estudos e processos em andamento que buscam reduzir ainda mais o tempo dos ciclos;
- Mais eficiência e economia. Em alguns casos, a técnica hidropônica pode consumir até 95% menos água do que o cultivo convencional. A solução nutritiva pode ser reaproveitada para várias irrigações e não é descartada na natureza, o que impede a contaminação do solo, de lençóis freáticos e dos próprios alimentos;
- Proteção contra adversidades climáticas. Existem técnicas para se controlar a temperatura da estufa que, por ser fechada nas laterais por uma tela, impede a entrada de insetos. A tecnologia de iluminação artificial aplicada à Hidroponia viabiliza a produção dentro de compartimentos fechados, prédios, garagens ou contêineres. Trata-se, também, de um meio de produção compatível para instalação em coberturas de prédios, pois reduz o calor dentro dos edifícios e captura CO2;
- Preservação do meio ambiente. O sistema hidropônico de produção reduz drasticamente a utilização dos recursos naturais, agregando valor aos produtos comercializados. Enquanto as técnicas de cultivo tradicionais pulverizam defensivos agrícolas que podem se infiltrar no solo e contaminar o lençol freático. Já o cultivo protegido minimiza o uso de defensivos e está constantemente buscando alternativas sustentáveis. Unidades de produção hidropônica próximas aos grandes centros urbanos reduzem em até 80% os custos e perdas no transporte e a emissão de CO2;
Desvantagens:
- Dependência de energia elétrica ou de um sistema alternativo. Se houver uma queda de energia e o produtor não dispor de um gerador ou um sistema de energia alternativa, há grande risco de se perder toda a produção;
- Requer conhecimento da tecnologia e acompanhamento permanente.
